Para os festejos de 1818, a Câmara lançou um edital para a construção da praça do curro. Todavia, como podemos ver na descrição da reunião de 13 de dezembro de 1817, não considerou adequadas e suficientes as propostas apresentadas. Dessa forma, decidiu “por se fazer o Curro por administração e conta do mesmo Senado que para os meios e circunstância necessárias para a sua fatura se ajam” .
No entanto, os vereadores tinham que lidar com os problemas econômicos que sempre marcaram a instituição, acentuados com as exigências que sobre ela se abateram com a chegada da Família Real (GOUVÊA, 2002). Assim, ficou decidido que todas as rendas em caixa ficariam destinadas à construção do curro. Mais ainda, para garantir a excelência das festividades, optou-se por fazer um fundo de 32 contos de réis, com cotas divididas por quatro vereadores (oito contos para cada). Mesmo assim, os recursos parecem não ter sido suficientes.
A solução para as despesas veio de um antigo procedimento. Dando provas de “sua lealdade e vassalagem para com a Coroa, através da disponibilização de seus recursos pessoais” (GOUVÊA, 2002, p. 117), os vereadores Francisco de Souza e Oliveira, Luiz José Viana Gurgel do Amaral e Rocha e o Coronel Manoel Caetano Pinto emprestaram, cada um, mais 2:000$000 .
Nas atas de 1818, pode-se perceber algumas das despesas previstas. Em 2 de maio , identifica-se que da Capitania de São Paulo pretendia-se comprar 30 touros, prevendo-se também convidar para dirigir as corridas o capitão-mor da Vila de Castro, Domingos José Vieira . Em 17 de junho, informa-se que se tentou também adquirir esses animais em São João Del Rei. Mais ainda, que o Brigadeiro Francisco Xavier dos Santos estimara em 250$000 o custo com a equipe de toureiros.
Eram mesmo custosas essas festividades. No Rio de Janeiro, o pagamento das dívidas se arrastou por quase um ano. Por exemplo, somente em 28 de abril de 1819, a vereação autorizou a pagar 18$530 a Francisco Estanislau de Oliveira, por ter cobrado 926$602 das diversas corporações que se propuseram a ajudar . Em 9 de junho foi a vez dos paulistas cobrarem o dinheiro dos touros.
Depois de uma longa e exaustiva preparação, parece ter sido um sucesso as festividades de outubro de 1818, nas quais as touradas, como de costume, estiveram inseridas em uma programação diversa. O afluxo de público foi notável. Como sugere Silva:
Quer as corridas de touros, quer as cavalhadas, eram consideradas a parte nobre do espetáculo na praça de curro, e às vezes realizavam-se umas, às vezes outras, pois os festejos duravam vários dias (…). A repetição era aliás necessária para permitir que maior número de pessoas pudesse presenciar nas bancadas as corridas (…) (1978, p. 64).
De fato, a Gazeta do Rio de Janeiro informou que as cavalhadas e corridas de touros ocuparam um grande espaço na programação:
Desejando o Senado da Câmara desta Cidade manifestar o júbilo de todos os seus habitantes pelos felicíssimos desposórios de SS. AA. RR. o Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, do Brasil e Algarves com a Sereníssima Senhora CAROLINA JOSEFA LEOPOLDINA, Arquiduquesa da Áustria, mandou erigir, no vastíssimo Campo de Santana, uma praça magnífica, construída com o mais apurado gosto, a fim de dar ao povo em públicos divertimentos por seis dias sucessivos de touros, e cavalhadas interpoladamente, um dilatado teatro para ostentar seus leais sentimentos .
As corridas de touros seguiram todos os rituais. Segundo Oliveira Lima (2006) , os cavaleiros estavam vestidos: “à antiga portuguesa, de casaco de veludo bordado com bofes de renda e chapéu tricorne, montados nos estribos de caixa sobre cavalos de boa raça e vistosamente ajaezados”. À massa era apresentado o que de “mais tradicional” era possível. A fim de garantir a sensação de simultaneidade e identificação necessárias à manutenção do Império. Naquela arena social exibiam-se os diferentes estratos, esperando-se que todos bem desempenhassem seus papéis para o bem da nação.
De acordo com a minuciosa descrição de Santos (1981), o modelo da arena era muito similar aos anteriores, mas a construção era ainda mais refinada. Possuía 610 x 353 x 77,5 palmos (isso é, 134 X 78 x 17 metros) e fora muito elogiada por todos. Segundo Oliveira Lima (2006): “Escrevia Maler — e o elogio não é fraco — que o Campo de Sant’Ana exibia brilho e gosto suficientes para fazer pensar nas Tulherias e nos Campos Eliseus, quando iluminados”. Segundo a descrição de Vieira Fazenda (1921, p. 539), provavelmente extraída de uma notícia publicada na Gazeta de Lisboa :
No centro apresentava um largo espaço de forma elítica, destinado propriamente aos festejos.
Uma tela, rezam os jornais do tempo e repete o padre Luiz Gonçalves, de seis e meio palmos de altura, defendia a grande bancada, a qual, dividida por quatro coretos, torneava toda a praça, começando e terminando em um majestoso pórtico representando um arco triunfal.
Este estava firmado sobre quatro colunas, por cima das quais pousava a cimalha geral, que dali circundava toda a praça.

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